BOAS DICAS :-)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

11 ANOS do ASES - Apoio Aéreo em Situações Especiais - Pilotos levam pacientes em tratamento a centros de referência (1/3)



Em 08 de outubro de 2015, o ASES (Apoio Aéreo em Situações Especiais) completou 11 ANOS de seu primeiro voo de Apoio Aéreo voluntário. A importância disso? A comunidade aeronáutica brasileira encontrava o caminho mais curto entre o Lar e a Esperança. Leia abaixo o primeiro de 3 posts que publicarei neste mês dos Aviadores..
October 8th, 2015 – ACES (Air CarE in Special Situations) was born with its first flight, as a nonprofit network, supported by volunteers. It was an amazing achievement for aviation community in Brazil. They showed, as well, a shortest way from home to hope
.

Transportar pacientes em tratamento por via aérea não é nenhuma novidade. E essa rede de apoio nem foi pioneira nisso também. A novidade que a Rede ASES trouxe foi a mobilização entre pilotos, proprietários de aeronaves, profissionais da saúde, de assistência social, autoridades aeronáuticas e tantos outros entusiastas da aviação, o que resultou na comprovação de que é possível prestarmos apoio aéreo voluntário, sem fins lucrativos utilizando quaisquer aeronave da aviação geral. E caracterizando uma real função social da aviação civil.
Naquele mês dedicado aos aviadores, em 2004, alunos de uma Faculdade de Ciências Aeronáuticas (PUC-RS) coordenaram esforços para que a pequena H.B.V e sua mãe pudessem voltar para sua casa, distante mais de 700Km do Instituto do Câncer Infantil, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

E tudo começou com um bate-papo na Cantina do Prédio 30 da PUC-RS.

E tudo começou com um bate-papo na Cantina do Prédio 30 da PUC-RS. Um colega me perguntava como podia ser possível a um político de sua cidade, há mais 100Km da capital, poder manter um avião e ainda ajudar pacientes locais que precisassem ser atendidos em centros de referência mais distantes? Eu havia trabalhado no extinto Departamento de Aviação Civil (DAC) anos antes. E pelo que me recordava, se tal político não cobrasse nada para voar em seu avião homologado para voos privados, tudo bem, desde que não configurasse  serviço aéreo especializado de transporte aeromédico. Ou seja, se o paciente estivesse em condições de se deslocar por meios próprios, não necessitasse de nenhum apoio de suporte à vida (maca, cilindros de oxigênio etc), tal qual um passageiro convidado normalmente, em termos de legislação aeronáutica tudo bem. Mas talvez a legislação eleitoral sim cobraria dele alguma satisfação...eheh...
Angel Flight Mid-AtlanticSuzanne Rhodes
Mas resolvi pesquisar mais a respeito. E vi, que principalmente nos Estados Unidos havia uma profusão de ONGs e redes de apoio aéreo em que particulares se uniam para coordenar voos privados. E na Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido havia iniciativas já consolidadas. E mais tarde, até mesmo um livro publicado a respeito da história de tais organizações eu encontrei. Em sua maioria se identificavam como Angel Flights. E olhem que curiosa coincidência o início da ideia:

"In 1972, two pilots—one a federal career engineer, the other the pastor of a prominent church in Washington, D.C.—discovered a common passion for flying airplanes and serving people. One day over lunch, the men conceived a flight plan, one that would undergo many changes before becoming Angel Flight Mid-Atlantic, as it is known today. Ed Boyer of the U.S. Department of Health and Human Services and Dr. Louis Evans, pastor of the National Presbyterian Church, discussed how to pool their interests and qualifications."

Neste 2015 encontrei pessoalmente a autora Suzanne Rhodes e sua equipe, em Virgínia Beach, VA. Não só nos recebeu calorosamente nesta Campanha de Estudo sobre Apoio Aéreo Voluntário, nos EUA, como presenteou-me justamente com sua inspiradora obra.

Continuando a falar sobre aquela novidade colocada em prática em outubro de 2004, eu já tinha conhecimento de pelo menos duas organizações que faziam algo inspirador no Brasil. A ONG cristã Asas do Socorro e o próprio Correio Aéreo Nacional, da Força Aérea. Tanto nos voos missionários daquela ONG quanto nas chamadas Missões de Misericórdia da FAB, era prestado apoio aéreo sem fins lucrativos. Mas o que fazia do ASES sem precedentes era o link entre Quem Voa com Quem Precisa, partindo de uma mobilização da comunidade aeronáutica. Então, imaginem o que foi para nós, naquela manhã de 08 de outubro ver o pequeno Tupi (Embraer 712) decolando do Aeroclube do Rio Grande do Sul, levando a pequena H.B.V. (in memoriam) e sua mamãe (ambas nunca haviam voado) de Porto Alegre pra Três de Maio-RS. E um detalhe, o piloto era um médico (Dr.Aroldo), que anos antes entristeceu-se por não poder tratá-la no hospital onde trabalhava. E teve que encaminhá-la para o Instituto do Câncer Infantil. Quis Deus que suas rotas se encontrassem novamente; e que o agora piloto pudesse ajudá-la de uma forma que tratamento nenhum poderia dar: o sonho infantil de todos nós em Voar...

Obrigado, ASES pelos seus 11 ANOS!

(acompanhe a segunda parte desta história na semana que vem :-) )